O que começou como a promessa de uma das eleições mais apertadas da história dos Estados Unidos terminou em “landslide” (que pode ser traduzido como “lavada”) para o republicano Donald Trump. Além da Casa Branca e a maioria no Senado, já assegurados, também deve contar com o maior número de deputados e, pela primeira vez, vencer no voto popular. O mundo, agora, tenta traduzir o que a sua vitória significa para o resto do globo.
Trump 2.0 está planejado para ser uma volta ao primeiro governo. Durante a campanha, prometeu que os Estados Unidos serão, novamente, um país olhando para o seu umbigo: mais isolado, rompendo acordos multilaterais e com novas tarifas externas. Uma das áreas mais afetadas será o meio ambiente, onde Trump tem uma visão bem diferente da atual – vai voltar a estimular combustíveis fósseis em detrimento da energia renovável.
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| Trump comemora vitória sobre a democrata Harris, após "landslide" / Crédito: RS/Fotos Públicas |
Trump deverá dificultar a imigração e deportar ilegais. Fez isso no primeiro governo e, desta vez, contará com um Congresso ainda mais a seu favor.
Na política externa, um novo mandato do republicano terá como ponto de mudança fundamental o fim da ajuda dos Estados Unidos à Ucrânia na guerra contra a Rússia. Trump prometeu que, eleito, acabará com o conflito “em 24 horas”. Sem a ajuda bilionária do governo Biden em armas, o presidente Volodymyr Zelensky não terá mais condições de igualdade contra os russos.
Esta será a primeira vez que governos Trump e do PT no Brasil ocorrerão simultaneamente. O isolacionismo dos EUA também trará consequências para o governo Lula. Maiores taxas para produtos brasileiros diminuirão o fluxo de comércio. Contudo, também será uma oportunidade para o Brasil buscar novas parcerias e intensificar trocas com os Brics, algo que já faz parte da agenda do governo petista.
A vitória de Trump também dá combustível para a extrema-direita. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a noite de terça (5) para quarta (6) comemorando, de olho na sucessão de 2026. É ingenuidade dizer que os Estados Unidos não influenciam o Brasil. A política estadunidense é balizadora, não só para a América Latina, como para o mundo democrático. Contudo há limites e a história pede para se evitar histerias.
O que não faltam são exemplos de sucessos da esquerda e centro-direita durante o primeiro mandato de Trump. Em 2019, o peronista Alberto Fernández venceu o empresário Maurício Macri na Argentina. Um ano antes, o México elegeu Lopes Obrador. Na Europa, o liberal Emmanuel Macron teve uma vitória inquestionável contra a extrema-direita. Na Itália, foi formado um governo entre o centro e a esquerda depois de uma eleição sem vencedor em 2018. Dentre outros.
Além disso, nem tudo serão flores para Trump. Ele sabe bem que governar e agradar eleitores não são tarefas fáceis. Já foi “demitido” uma vez e, agora, não terá mais a chance de reeleição, vedada pela constituição. Suas promessas terão que ser traduzidas rapidamente em ações que de fato contentem os americanos em um país cada vez mais caro para se viver.
Artigo previamente publicado na edição de 08/11/2024 do Jornal O Popular - link aqui
