O mandato do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, terminou na última segunda-feira (20/5). Mesmo assim, ele permanecerá no poder até o fim da Lei Marcial, em vigor no país devido à guerra com a Rússia. Ou seja, não há previsão para novas eleições e, enquanto elas não ocorrerem, Zelensky continua mandatário.
Enquanto isso, a Rússia avança no território ucraniano
próximo a Kharkiv, segunda maior cidade do país. O exército ucraniano tem tido
problemas após seus principais aliados ocidentais terem atrasado o envio de
suprimentos bélicos. O Congresso dos Estados Unidos, por exemplo, demorou para
aprovar uma ajuda de cerca de US$ 60 bilhões, o que só ocorreu no mês passado. Este foi o primeiro pacote acolhido pelo Legislativo em um ano e meio, mostrando que o país está dividido em relação a
manter as suas ajudas a uma guerra que já dura mais de dois anos.
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| Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky / Crédito: RS Zelensky/via Fotos Publicas |
A retórica de Zelensky continua sendo a de que a Ucrânia vai se manter em combate e vencer a guerra. O futuro, porém, não é nada promissor. Segundo as últimas pesquisas, o presidente americano Joe Biden experimenta um de seus piores momentos em relação à aprovação de seu eleitorado. A pesquisa da YouGov, de 19 de maio, por exemplo, aponta que 36% aprovam a sua gestão, enquanto 58% a desaprovam. O alerta amarelo para as eleições de novembro já está ligado há algum tempo. Favorito para vencer, o ex-presidente Donald Trump já disse que não pretende manter a ajuda para a Ucrânia.
Do outro lado do Atlântico, Olaf Scholz, chanceler alemão e, assim como Biden, grande apoiador de Zelensky, vive o mesmo dilema de seu colega americano. Pesquisas no fim do ano passado mostram que seu governo atingiu o recorde de impopularidade. Novas eleições gerais devem ocorrer em 2025 e a ajuda alemã para os ucranianos certamente será um dos temas da campanha.
É bom lembrar ainda que o Partido Conservador do Reino Unido, que também apoia Zelensky, deve deixar o poder após o primeiro-ministro Rishi Sunak ter anunciado, na quarta (22/5), novas eleições para julho.
A Ucrânia já provou que não consegue manter uma guerra de
igual para igual com os russos sem a ajuda estrangeira. Com seus os aliados em
posições domésticas temerárias, não é difícil prever um futuro preocupante para
o país. Mesmo assim, Zelensky não altera a sua retórica de se manter em
combate "até a vitória". Sem seus principais apoiadores, a insistência do presidente ucraniano de rechaçar o diálogo e ter olhos apenas para um improvável triunfo certamente abrirá uma janela de oportunidade para a Rússia expandir seus ganhos
territoriais a partir do ano que vem.
