A chefe da Comissão Europeia Ursula Von der Layen tem trabalhado, nos últimos meses, um novo conceito de alteração da política econômica da União Europeia com base na segurança internacional. Mira os atuais grupos supranacionais que se consolidaram, principalmente, depois da invasão da Ucrânia pela Rússia (2022). Como uma das primeiras medidas, ela quer convencer os membros do bloco europeu a não exportar novas tecnologias para países considerados “autocratas”.
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| Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, quer apertar o cerco a Pequim (Foto: European Union/2013) |
Não é dito abertamente, mas é claro que o alvo principal é a China. O chamado mundo ocidental – leia-se Estados Unidos e Europa – vem aumentando a pressão política sobre o país asiático progressivamente desde a administração de Donald Trump (2017-2020), que abriu as portas para uma guerra comercial, e consolidada pelo atual presidente Joe Biden, que elevou a disputa para o campo político, principalmente depois que as tropas russas cruzaram as fronteiras ucranianas.
Tal ação da Comissão Europeia já não é bem vista por vários dirigentes nacionais dos países que fazem parte da União Europeia e deve enfrentar muita resistência dentro do grupo. “Nós somos Europa, não Estados Unidos”, disse um oficial nacional à reportagem do South China Morning Post, jornal baseado em Hong Kong.
A frase é interessante porque nos faz lembrar que outro detalhe fundamental do contexto geopolítico atual – China não é Rússia. Apesar da parceria cada vez mais estreita entre os dois países, os dois gigantes da Ásia não são aliados e, em muitas matérias, perseguem seus próprios objetivos.
Maior exemplo disso é que se a China não condenou veementemente a invasão russa – como o ocidente -, também não a apoiou. Os chineses, inclusive, não estão vendendo armas para os russos, algo que até mesmo o serviço secreto dos Estados Unidos admite. Apertar o cerco contra a China, algo que vem sendo discutido e posto em prática nos últimos meses, é arriscado para o ocidente já que pode unir, cada vez mais, Moscou e Pequim.
