Medvedev, o policial mau de Putin

Desde a invasão russa na Ucrânia, culminando na guerra que já dura quase um ano e meio, o ex-presidente, ex-primeiro ministro e atual vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitri Medvedev, recebeu a missão de ser o pitbull do presidente Vladmir Putin. Nos discursos, é sempre ele que ataca mais agressivamente o ocidente, fazendo previsões apocalípticas.


Fiel a Putin, Dmitri Medvedev encarnou o papel de soldado
psicológico na Guerra na Ucrânia (Sergei Karpukhin/Reuters)

Nesta segunda (3), Medvedev voltou a vestir sua batina preta e segurar a foice ao prever publicamente que a Guerra na Ucrânia ainda deve durar décadas, e o seu fim pode não ser agradável aos olhos do mundo.

“Vou dizer uma coisa que políticos de todas as faixas não gostam de admitir – um apocalipse não é apenas possível, como bastante provável”, disse ele, segundo a CNBC, prospectando uma guerra nuclear.

Não é a primeira vez que ele dá declarações neste tom. Em fevereiro, por exemplo, já havido dito que a cada dia que ocidente fornece armas para a Ucrânia faz com que o estopim de uma guerra nuclear chegue mais perto.

Na política, é importante que um líder, como Putin, tenha auxiliares leais que façam as declarações (neste caso, ameaças) que ele mesmo não pode (ou não quer) fazer. Isso faz parte de outra guerra, que naturalmente ocorre em paralelo aos combates armados – o conflito psicológico.

Todos sabem que não haverá vencedores em uma guerra nuclear. É por isso, principalmente, que tal ameaça nunca foi colocada em prática desde que dois artefatos nucleares, primeiros e únicos, foram utilizados em conflito no final da Segunda Guerra Mundial.

Uma guerra nuclear é uma linha vermelha que dificilmente algum país irá cruzar. Porém, a sua retórica vale pontos no conflito mental. E Medvedev tem sido a liderança escalada, desde o início dos combates, para esta tarefa estratégica.

Eduardo Sartorato

Jornalista e mestre em Estudos Globais / Relações Internacionais pelo programa Erasmus Mundus (Universidade de Viena e Universidade de Wroclaw)

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