Irmãos de relações instáveis

RELAÇÕES RUSSO-UCRANIANAS (PARTE 2) | As relações históricas entre Ucrânia e Rússia mostram uma ambiguidade – os dois países tiveram uma origem em comum, possuem culturas muito próximas, mas seus laços políticos foram quase sempre instáveis. O período pós-União Soviética continua a mostrar altos e baixos nesta relação e, a partir de 2004, com rivalidade crescente.

A Ucrânia, finalmente, conseguiu sua independência após a desintegração do bloco soviético em 1991. Um referendo mostrou que a maior parte da população queria um país desvinculado de Moscou.

Yushchenko e Putin / Kremlin.ru (Março/2005)

Entre 1991 e 2013, as relações entre os dois países tiveram altos e baixos. A Rússia sempre se mostrou muito interessada que Kiev tivesse um presidente com laços estreitos com Kremlin.

Durante o governo do primeiro presidente Leonid Kravchuk (1991-1994), o destino das mais de três mil ogivas nucleares da era soviética e a frota de guerra do Mar Negro foram assuntos que geraram tensão. Contudo, a partir do meio da gestão de Leonid Kuchma (1994-2005), as relações melhoraram bastante.

As eleições de 2004 voltaram a colocar em jogo as boas relações entre os dois países, com dois casos bem marcantes. O primeiro foi o envenenamento do candidato menos preferido de Moscou, Viktor Yushchenko.

O político teve uma pancreatite aguda e ficou em estado grave durante quase toda a campanha. Dois meses depois do ocorrido, exames mostraram que havia uma concentração mil vezes maior do que o normal de TCDD.

Outra característica daquela eleição foi uma onda de protestos contra o primeiro resultado do pleito, que apontou vitória de Viktor Yanukovych, favorito do Kremlin, com cerca de 3% de frente sobre Yushchenko.

As pesquisas, porém, mostravam vitória deste último por 11 pontos. A chamada Revolução Laranja, de novembro de 2004 até janeiro de 2005, levou a Ucrânia a uma nova eleição, onde, dessa vez, Yushchenko venceu com ampla margem, indicando que de fato houve fraudes no primeiro pleito.

Eduardo Sartorato

Jornalista e mestre em Estudos Globais / Relações Internacionais pelo programa Erasmus Mundus (Universidade de Viena e Universidade de Wroclaw)

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