Russos e ucranianos possuem um passado em comum. A origem de ambos foi o estado de Kievan Rus’ (ou Rússia de Kiev). Este foi o resultado de uma união de tribos eslavas das regiões do Mar Negro até a Finlândia, convertidos à Igreja Ortodoxa, no século IX DC. Tanto Rússia quanto Ucrânia se declaram seus legítimos sucessores culturais.
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| Mapa da extensão máxima do estado da Rússia de Kiev no século XI / Wikipedia |
No século XIII, porém, esse estado foi conquistado pelos mongóis o que, na prática, causou uma separação. O Império Russo foi o desenvolvimento da parte norte da Rússia de Kiev em torno da aristocracia de Moscou. Já a parte sul foi absorvida pela Polônia-Lituânia.
Boa parte dos habitantes da região que hoje é a Ucrânia, porém, não aceitaram a união com os poloneses. Os séculos XVII e XVIII foram marcados por guerras entre os estados locais. Como resultado, a Rússia acabou incorporando a parte central da Ucrânia atual, liderando um processo de substituição da cultura local pela russa.
No século XIX e XX, porém, o sentimento nacionalista e a busca por um Estado independente desabrocharam entre os ucranianos. Com a Primeira Guerra (1914-1918) e a Revolução Russa (1919), ucranianos conseguiram autonomia e fundaram a República Popular da Ucrânia (1921). Um ano depois, seria um dos estados formadores da União Soviética.
Com o novo vínculo, ucranianos voltaram a ter o destino unido ao de Moscou até a desintegração do bloco soviético (1991). Porém, durante todo o período houve vários capítulos tensos nessa relação – o Holomodor (1932-1933), a grande fome na Ucrânia considerada por muitos um genocídio do regime soviético; o aumento do território ucraniano após a Segunda Guerra; a transferência da Península da Crimeia da Rússia para a Ucrânia (1954); o acidente de Chernobil (1986); dentre outros.
